O Cientista e o Empresário

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Os versados em psicanálise que me perdoem, mas gostaria de descrever um comportamento que tenho observado em colegas, proprietários ou gestores de laboratórios. Converso frequentemente com profissionais que apresentam uma clara ambivalência de natureza pessoal e corporativa. Vejo um conflito constante entre dois personagens dentro de uma mesma pessoa. O Cientista e o Empresário.

O primeiro personagem é o Cientista. Esclareço que minha intenção é descrever o profissional técnico, com formação superior voltada para o Diagnóstico In Vitro e não necessariamente quem se dedica à pesquisa científica.

Constantemente preocupado com atualizações científicas, novos exames e doenças emergentes, o Cientista zela pela excelência técnica do laboratório. Volta-se para as questões da qualidade e avaliações externas dos procedimentos laboratoriais. Tem o erro como uma espada sobre sua cabeça e não admite nada menos do que a perfeição nos resultados produzidos. Normalmente tem prazer em atender os pacientes e explica com cuidado o significado dos exames e suas implicações para a saúde. Frequenta congressos, assina revistas especializadas e vasculha a web em busca de informações atualizadas sobre o diagnóstico laboratorial de diversas patologias. Tem seu momento de glória quando o estagiário ou o colega menos experiente lhe pede opinião sobre aquela lâmina difícil no microscópio. Enfim, esse profissional, tem em seu métier grande satisfação e a sensação de estar fazendo algo útil para o mundo.

Nosso segundo personagem, o Empresário, não é tão alegre e entusiasmado quanto o Cientista. Tem inúmeros compromissos a pagar, constantes problemas de gestão de pessoas, compras, marketing e os convênios que, além de não reajustarem suas tabelas, muitas vezes deixam de pagar, glosando exames realizados. Além disso, o produto de sua empresa não é mercadoria de feira que possa ser vendido aos berros de “Moça bonita não paga,… mas também não leva!”.

Diferente do Cientista, que passou cinco anos na graduação e mais alguns em pós-graduação, o Empresário não teve qualquer educação formal em Administração de Empresas. Não se importa com a linguagem dos grandes executivos e, muitas vezes, embora lide com problemas empresariais comuns a todos os tipos de corporações, tem imensa dificuldade em ver o seu laboratório como uma empresa ou um negócio.  É um profissional que aprendeu na escola da vida. Se a empresa está operando é sinal que ele, até agora, não cometeu nenhum erro fatal ou ainda não o percebeu. Nosso Empresário, obviamente, não é tão feliz quanto o Cientista.

A melhor alternativa, além de um bom psicanalista, é munir o Empresário com ferramentas e conhecimentos necessários para que suas tarefas sejam menos penosas e mais eficientes. Para isso existem várias instituições que oferecem cursos, até mesmo gratuitos, voltados para a gestão de negócios como o SEBRAE, o SESC, o SENAC e também instituições de ensino como a Fundação Getúlio Vargas entre outras universidades.

Empresário e Cientista precisam conviver de maneira harmônica e equilibrada para que o laboratório não apenas sobreviva, mas cresça em qualidade, gerando lucro e vantagem competitiva.